Benjamin and the Magic Window

Ilustrações que fiz para o Concurso de Ilustração Contemporânea Portuguesa de 2017 (ilustracaocportuguesa.com) com o tema “Noite” 🙂

“Benjamin and The Magic Window”

Benjamin é um pequeno rapaz que vive com o seu pai, Herbert. Uma noite, Benjamin sonha que deseja um amigo e acorda a meio da noite rodeado por um monte de estrelas e cores que percorrem toda a casa. O pequeno rapaz tenta descobrir de onde elas vêm e apercebe-se de que é da grande janela da sala-de-estar. Benjamin corre a chamar o seu pai para que ele veja o que está a acontecer mas este parece apenas aborrecido e assustado pelo pobre rapaz o ter acordado e volta para a cama. Benjamin fica triste mas decide ir lá fora, à varanda, assistir ao lindo espetáculo naquela noite estrelada, e para o seu espanto faz amizade com uma grande estrela polar.

🙂










Tantas pessoas, tantos sonhos

Tantos sonhos em cada espírito. E um espírito pode reanimar o sonho de um espírito do lado. 

Hoje aprendi tanto com um só espírito. Olho-o como o espírito da vida, nesta vida que ambos partilhamos, por vezes juntos, mais vezes separados. Mas que me ensina a olhar o mundo pela melhor forma. Olha-me pelo meu interior e com os seus olhos castanhos, sábios e sensíveis, como um médico, me cura o coração.
Hoje falou-me de como a presença de uma pessoa era capaz de alegrar e de aliviar o espírito de um ser humano. Pois que só a sua presença tem esse efeito em mim. O Jorge fala bastante e cala quando sente, mas até a sua presença em silêncio me traria amor. A sua rubostez lembra-me um tronco de um carvalho que emana calor. 

Tento receber, em silêncio, todas as suas palavras e conselhos. Pois que as entendo e estas me preenchem e iluminam a minha alma. Por vezes não entendo como pode ele preferir passar tanto tempo comigo nesta minha fase da vida em que me encontro perdida e desmotivada. Ele é um ser de coração. Um amigo. 

Não existe gesto, bondade nem valor maior que o seu, de estender a sua mão. 

Little Poem

Sou live e não sou livre (I’m free and I’m not)

E no entanto, nada sou (And however, nothing I am)

 

O ar desvanece pelos meus olhos  (the air fades through my eyes)

contraído (contracted)

E a brisa arrepia-se (And the breeze shivers)

ao meu respirar (to my breath)

 

O peso esconde-se (The weight hides)

nas mãos brutas,  (in the hands,)

no martelar do pavimento (in the pounding of the pavement,)

na expressão quase fixa do canto dos lábios (in the stare expression of my lips,)

na firmeza da gola do casaco (in the firmness of the neck’s coat)

 

(Olho-os como se me olhassem) (I gaze them as they gazed me)

 

Os meus pensamentos (My thoughts)

conselhos de uma brisa maior (as advices from a major breeze) 

Saudam a minha testa de frescura (They greet my forehead with freshness)

e resiliência (and resilience)

 

(Olho o meu quarto com peso e devoção) (I watch my room with heaviness and devotion)

Que um dia ele seja quente e terno (May it one day be warm and loving)

como aquele armário de madeira turquesa (like that turquoise wardrobe)

E que a leve brisa adormeça (And may the breeze lay down)

no conforto do colchão. (on the comfort bed)

 

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Diário 

(À tarde num dia de escola)

Ir e voltar perto do mar/Quero ver o mar /Sentir-me par/Una na música/Na dança/Voar/Sou fonte do mar por onde começo/E termino o meu encanto/Sou esguia, terna/Planta do fruto/Tenho o meu começo na hora da partida/E na volta de chegada/A mudança/O cume alargado/O movimento/O pavio/Linhas de poesia que cantarei um dia/(Mais tarde)/E vos escrevo enquanto espero/Um eterno autocarro
1/11/16

Dia para dia eu escrevera. Tivera dias e momentos mais iluminados, uns que outros. Segundos em que a liz fundira a resposta que precisava de ouvir sem se ouvir um único barulho no mundo inteiro e no entanto habitava lá eu e o raio de luz naquele segredo. 

(No fim pousei a mão sobre a barriga)

 

Avô

Estava um tom acastanhado escuro. O mesmo que encontro a comer castanhas quando olho o grande tabuleiro negro e ressalto uma delas entre as mãos, tento estala-la e não consigo. A doce mão da minha avó vem sempre para me ajudar e quando olho de novo, cinco castanhas se abrem numa mancha amarela à minha frente. Mas hoje à tarde seria diferente. O meu avô falava debaixo do palco acastanhado num tom ainda mais severo. Assuas mãos eram pedras já esculpidas no meio da serra, como totens de madeira que devemos escutar. Delas se ouvia gritos, ainda que surdos, eram gritos de uma memória esculpida dela mesma. Uma memória resguardada. O meu avô falava e ecoava, como se houvesse ainda outro avô escondido na gruta que ele mesmo é. Falava da forte evolução e como tinha sido rápida e pouco eficaz. Uns ficarão para sempre despidos e analfabetos, outros mergulhados em máscaras de proteção, sem meio termo. Conseguia ver-lhe o azul marinho descer-lhe aos ombros como um peso inigualável. Meu avô que saibas de antemão que te escrevo a meio da tarde.

2/11/2016