Tantas pessoas, tantos sonhos

Tantos sonhos em cada esp√≠rito. E um esp√≠rito pode reanimar o sonho de um esp√≠rito do lado. 

Hoje aprendi tanto com um só espírito. Olho-o como o espírito da vida, nesta vida que ambos partilhamos, por vezes juntos, mais vezes separados. Mas que me ensina a olhar o mundo pela melhor forma. Olha-me pelo meu interior e com os seus olhos castanhos, sábios e sensíveis, como um médico, me cura o coração.
Hoje falou-me de como a presen√ßa de uma pessoa era capaz de alegrar e de aliviar o esp√≠rito de um ser humano. Pois que s√≥ a sua presen√ßa tem esse efeito em mim. O Jorge fala bastante e cala quando sente, mas at√© a sua presen√ßa em sil√™ncio me traria amor. A sua rubostez lembra-me um tronco de um carvalho que emana calor. 

Tento receber, em sil√™ncio, todas as suas palavras e conselhos. Pois que as entendo e estas me preenchem e iluminam a minha alma. Por vezes n√£o entendo como pode ele preferir passar tanto tempo comigo nesta minha fase da vida em que me encontro perdida e desmotivada. Ele √© um ser de cora√ß√£o. Um amigo. 

N√£o existe gesto, bondade nem valor maior que o seu, de estender a sua m√£o. 

Little Poem

Sou live e n√£o sou livre (I’m free and I’m not)

E no entanto, nada sou (And however, nothing I am)

 

O ar desvanece pelos meus olhos  (the air fades through my eyes)

contraído (contracted)

E a brisa arrepia-se (And the breeze shivers)

ao meu respirar (to my breath)

 

O peso esconde-se (The weight hides)

nas mãos brutas,  (in the hands,)

no martelar do pavimento (in the pounding of the pavement,)

na express√£o quase fixa do canto dos l√°bios (in the stare expression of my lips,)

na firmeza da gola do casaco (in the firmness of the neck’s coat)

 

(Olho-os como se me olhassem) (I gaze them as they gazed me)

 

Os meus pensamentos (My thoughts)

conselhos de uma brisa maior (as advices from a major breeze) 

Saudam a minha testa de frescura (They greet my forehead with freshness)

e resiliência (and resilience)

 

(Olho o meu quarto com peso e devoção) (I watch my room with heaviness and devotion)

Que um dia ele seja quente e terno (May it one day be warm and loving)

como aquele arm√°rio de madeira turquesa (like that turquoise wardrobe)

E que a leve brisa adormeça (And may the breeze lay down)

no conforto do colch√£o. (on the comfort bed)

 

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Diário 

(À tarde num dia de escola)

Ir e voltar perto do mar/Quero ver o mar /Sentir-me par/Una na m√ļsica/Na dan√ßa/Voar/Sou fonte do mar por onde come√ßo/E termino o meu encanto/Sou esguia, terna/Planta do fruto/Tenho o meu come√ßo na hora da partida/E na volta de chegada/A mudan√ßa/O cume alargado/O movimento/O pavio/Linhas de poesia que cantarei um dia/(Mais tarde)/E vos escrevo enquanto espero/Um eterno autocarro
1/11/16

Dia para dia eu escrevera. Tivera dias e momentos mais iluminados, uns que outros. Segundos em que a liz fundira a resposta que precisava de ouvir sem se ouvir um √ļnico barulho no mundo inteiro e no entanto habitava l√° eu e o raio de luz naquele segredo. 

(No fim pousei a m√£o sobre a barriga)

 

Av√ī

Estava um tom acastanhado escuro. O mesmo que encontro a comer castanhas quando olho o grande tabuleiro negro e ressalto uma delas entre as m√£os, tento estala-la e n√£o consigo. A doce m√£o da minha av√≥ vem sempre para me ajudar e quando olho de novo, cinco castanhas se abrem numa mancha amarela √† minha frente. Mas hoje √† tarde seria diferente. O meu av√ī falava debaixo do palco acastanhado num tom ainda mais severo. Assuas m√£os eram pedras j√° esculpidas no meio da serra, como totens de madeira que devemos escutar. Delas se ouvia gritos, ainda que surdos, eram gritos de uma mem√≥ria esculpida dela mesma. Uma mem√≥ria resguardada. O meu av√ī falava e ecoava, como se houvesse ainda outro av√ī escondido na gruta que ele mesmo √©. Falava da forte evolu√ß√£o e como tinha sido r√°pida e pouco eficaz. Uns ficar√£o para sempre despidos e analfabetos, outros mergulhados em m√°scaras de prote√ß√£o, sem meio termo. Conseguia ver-lhe o azul marinho descer-lhe aos ombros como um peso inigual√°vel. Meu av√ī que saibas de antem√£o que te escrevo a meio da tarde.

2/11/2016

“O Filho do Monte”

Sauda√ß√Ķes¬†ūüôā ¬†,

Este é o mais recente projeto audiovisual que fiz, O Filho do Monte, é um pequeno vídeo que fiz para a minha tia Maria, filmado na sua casa, no lugar do Outeiro, na aldeia de Vila Mou. Para mim retrata apenas a beleza de uma simples educação, nascida da liberdade e cheia de amor.

Debrucei-me nos fil√≥sofos gregos da antiguidade cl√°ssica, mais especificamente em S√≥crates e foi da sua c√©lebre frase “Conhece-te a ti mesmo”, que surgiu a linha estruturante deste pequeno filme. Usei meia cal√ßa el√°stica preta para representar o corpo humano, que se molda e se adapta – em cima duma tela branca de madeira, para representar o que habitualmente chamamos de alma – √† nossa m√°quina.

O v√≠deo est√° dividido em cinco no√ß√Ķes (no√ß√£o de Homem, no√ß√£o de linguagem, no√ß√£o de muro, no√ß√£o de sociedade e no√ß√£o de mudan√ßa) tentando ao m√°ximo exp√īr o meu pensamento¬†face √† educa√ß√£o. √Äs cinco primeiras no√ß√Ķes correspondem cinco outras palavras, respetivamente (psych√©, espelho, ina√ß√£o, matem√°tica e liberdade).


Salutation ūüôā

Voici le tout dernier projet audiovisuel que j’ai fait “O Filho do Monte”, courte¬†vid√©o que j’ai¬†realis√© pour ma ch√®re tante Maria et que J’ai film√© chez elle, √† Outeiro, dans son village, Vila Mou. Elle symbolise une √©ducation n√©e de la libert√© et de l’amour.

Je me suis pench√©e sur quelques philosophes grecs de l’antiquit√©, plus pr√©cis√©ment sur la c√©l√®bre citation de Socrates “Connais-toi toi-m√™me” √† partir de laquelle j’ai construit la ligne conductrice de ce court-m√©trage.

J’ai utilis√© des bas noirs pour repr√©senter le corps humain. Ce corps qui s’adapte et se forge √† la toile ‚Äď notre √Ęme.

La vid√©o se divise en cinq concepts (l’humain, le langage, la barri√®re, la societ√© et le changement) qui s‚Äôinscrivent dans ma ligne de pense√© en ce qui concerne l‚Äô √©ducation.

A Chacun des cinq concepts correspond un mot, respectivement, psyché, miroir, inaction, mathématique e liberté.


 

Podem visualizar o v√≠deo aqui na minha p√°gina do¬†Vimeo,¬†–¬†O Filho do Monte

Vous pouvez le regarder ici sur ma¬†Vimeo¬†platform,¬†–¬†O Filho do Monte

 

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Espero que gostem! I really hope you enjoy!

Mariana Santiago,